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Escritor José Luís Peixoto declara-se à Oliveira do Mouchão

3350 anos, invernos e verões, o frio do janeiro mais frio, o calor do agosto mais tórrido, e todas as noites, saber viver com esse silêncio, essa solidão. Uma árvore como a oliveira do Mouchão só pode fazer amizade com o céu, tudo o resto é demasiado efémero.

Quando vamos conhecê-la, a verdadeira honra é darmo-nos a conhecer a ela, fazermos parte da sua imensa memória. Gerações seguidas de pessoas a nascerem, a passarem todas as idades à sua volta e, num dia a deixarem de passar, a serem substituídas por filhos e netos ou, talvez, as raízes desta árvore a reencontrá-las no interior da terra.

Imagino a seiva a atravessar o tronco sem pressa e, depois, a dividir-se por todos os ramos, cada vez mais finos. Imagino a seiva a renová-la por dentro, a dar-lhe remessas ilimitadas de juventude.

Na história do mundo, sem que ninguém o distinguisse, houve um dia em que um caroço de azeitona pegou, encontrou fertilidade em si próprio, rasgou-se de dentro para fora, decidiu ser mais. Esta árvore de 3350 anos é ainda consequência dessa vontade.

Está nas Mouriscas, no fim de uma rua, no começo do campo. É uma árvore que nos fala de transcendência, do tamanho da natureza. Quando olhamos bem para ela, sentimo-nos insignificantes.

O que é um monumento?

Texto e fotos de José Luís Peixoto

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