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José Luís Peixoto apresentou obra literária que vai criar rota cultural em Abrantes, Constância e Sardoal

Esta obra literária criada por José Luís Peixoto desenvolveu-se no âmbito do projeto Caminhos Literários que envolve os municípios de Abrantes, Constância e Sardoal e foi apresentada na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, onde foi também apresentado um protótipo das estruturas que poderão ser depois visitadas em dezenas de locais nos três concelhos envolvidos, criando assim um produto turístico-cultural em que a literatura é a alavanca para a descoberta de novas paisagens.

A sessão contou com a presença do escritor José Luís Peixoto, do Presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, da Vereadora da Câmara Municipal de Constância, Helena Roxo, do Presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, e de Miguel Palmeiro, designer da United By, empresa responsável pelas estruturas a implementar nos territórios destes três concelhos.

“Tudo isto nasceu de uma ideia que no início era muito vaga e abstrata, mas partiu de uma vontade de Abrantes, Constância e Sardoal juntarem forças e valorizarem conjuntamente a cultura e a literatura e foi a partir desta vontade que nasceu a ideia”, começou por referir José Luís Peixoto, acrescentando que “decidimos fazer uma seleção de lugares de várias naturezas presentes nestes territórios e escrever textos específicos sobre esses lugares. São textos que se relacionam com os lugares e foram escritos concretamente sobre estes lugares, mas que trazem várias ideias”.

“Onde – o exemplo de Abrantes, Constância e Sardoal” é o título do livro de José Luís Peixoto que nasceu deste projeto e que estará disponível a parir de 21 de julho de 2022. “Espero que este livro também contribua para que as pessoas queiram ler os textos no próprio lugar e que são lugares muito específicos, como por exemplo, a Praça da República, em Sardoal, o miradouro do Cristo Rei, em Matagosa, concelho de Abrantes, a Praça Alexandre Herculano, em Constância, entre outros”.

“Estes 62 textos são de grande ambição e tenho esperança de que quando chegarem aos olhos de toda a gente, se identifiquem com eles e se reconheçam neles porque essa foi também uma das intenções. Espero que sejam claros, mas que tenham múltiplas leituras, da forma como se olha para aqueles lugares e que chamem à atenção para aspetos que não são evidentes”, concluiu José Luís Peixoto.

Na ocasião, Miguel Palmeiro, designer da united by, empresa responsável pelas estruturas a implementar nos territórios destes três concelhos, começou por salientar que “este foi um dos projetos que em 30 anos de carreira enquanto designer foi o mais desafiante que me apareceu porque nunca paginei um livro que é dividido em 62 páginas espalhas por três territórios”.

“Comecei por pensar em lugar e em identidade coletiva entre estes três municípios, mas fui confrontado com espaços urbanos, rurais e de natureza e queria construir algo que fosse uma página de um livro que pudesse estar em cima da relva, numa parede ou em asfalto e o desafio foi pensar nisto numa forma humilde, mas assumida”, explicou.

Estas 62 estruturas vão ser colocadas em vários locais de Abrantes, Constância e Sardoal, criando, assim, uma rota literária. No concelho de Abrantes, estas estruturas serão colocadas em locais como o cais de acostagem de Rio de Moinhos, o Miradouro da Penha, em Tramagal, o Santuário de Nossa Senhora do Tojo, em Mouriscas, na aldeia do Pego, ou no Alto de Santo António, em Abrantes, entre outros.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, “este é um trabalho exemplar daquilo que se perspetiva para o futuro, esta ligação da cultura às questões das regiões e a proximidade entre os concelhos”. “Hoje lutamos muita pela questão dos territórios e precisamos de uma nova afirmação, de um novo registo e identidade comuns e estes apontamentos culturais comuns ajudam a construir essa nova identidade que todos desejamos”, reforçou Manuel Jorge Valamatos.

O projeto Caminhos Literários, que explora os territórios ligados a António Botto, Camões e Gil Vicente, pretende disponibilizar o usufruto da arte em locais públicos e de acesso livre, com a realização de diversas ações culturais, dinamizando, assim, a economia da região, através do turismo atraído por estes eventos.

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